Adolescência, gravidez e doenças sexualmente transmissíveis (DST): como os adolescentes enfrentam estas vulnerabilidades?

Adolescência, gravidez e doenças sexualmente transmissíveis (DST): como os adolescentes enfrentam estas vulnerabilidades?

Autor Guastaferro, Camila Macedo Autor UNIFESP Google Scholar
Orientador Vitalle, Maria Sylvia de Souza Autor UNIFESP Google Scholar
Instituição Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Pós-graduação Educação e Saúde na Infância e Adolescência
Resumo O projeto Vale Sonhar no Catavento Cultural e Educacional, inaugurado em 2009, é um trabalho diferenciado de prevenção de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis na adolescência, por se tratar de uma instalação educativa permanente em um museu de ciências e tecnologia. Baseada na metodologia psicodramática, a instalação Prevenindo a Gravidez Juvenil funciona como uma oficina interativa, na qual os adolescentes são colocados para protagonizar suas escolhas e verificar os impactos de uma gravidez não planejada e de uma doença sexualmente transmissível em seu projeto de vida profissional. A interface entre cultura, educação e saúde são propostas na oficina interativa permitindo ao adolescente um espaço para a percepção de sua vulnerabilidade e ampliando suas respostas em relação ao corpo, a suas escolhas reprodutivas e sexuais, ao seu olhar para a questão de gênero e para a diversidade. Com o objetivo de verificar como as vulnerabilidades social, individual e programática são percebidas e enfrentadas pelos próprios adolescentes diante da gravidez e das doenças sexualmente transmissíveis, foi realizada uma pesquisa na instalação Prevenindo a Gravidez Juvenil de 15/05/2012 a 26/07/2012, acompanhando os grupos de adolescentes durante a última etapa da oficina, denominada compartilhar. Foram observados 24 grupos de adolescentes e jovens, entre 12 e 24 anos, totalizando 449 participantes. A etapa do compartilhar foi registrada em vídeo e submetida à transcrição e posteriormente à análise do discurso. Utilizou-se o método qualitativo pela dimensão que ele pode atingir nos processos sociais de determinados grupos e permite o estudo da história, das relações, das crenças, das percepções que as pessoas constroem sobre aspectos de sua vida cotidiana. O escopo analítico-descritivo permitiu trazer à luz a voz dos adolescentes expressando suas percepções acerca da vida sexual e permitiram que a pesquisadora lancasse mão do discurso do adolescente sobre sexualidade e prevenção para apreender as ideologias presentes nas relações cotidianas e no exercício dos direitos sexuais e reprodutivos. Para a interpretação dos enunciados, a pesquisadora considerou as seguintes características de cada grupo procurando explicitar os modos de produção de sentidos utilizados pelos grupos: tipos de reações grupais, papel do educador, ideologias presentes nas produções de sentidos e paráfrases/metáforas. Para cada grupo foi produzido um corpus e uma ficha síntese. Depois de submetidos individualmente à análise, reagrupou-se a partir das faixas etárias semelhantes em 4 subgrupos para desvelar as semelhanças e diversidades dos discursos, as contribuições da técnica da análise mostraram que a mesma ideologia aparece de forma diferente no discurso de cada um dos grupos, afiliadas à sentidos mais ou menos passíveis de reflexão e problematização. Notou-se nos discursos dos adolescentes a submissão a uma norma inconsciente que remete a uma sexualidade perigosa, desigual no acesso ao prazer, assimétrica nos significados das escolhas reprodutivas, superficial no conhecimento e aprendizado sobre a intimidade e vulnerabilidade. A vulnerabilidade social apresentou-se como um dos fatores de maior dificuldade de ser confrontado nos grupos, por estar relacionado a uma filiação familiar e no grupo social. No entanto esse posicionamento interfere diretamente na exposição aos riscos por se constituir na não valorização e respeito do outro como sujeito de escolha. Não há um enfrentamento direto dessas tradições e assimetrias de gênero. O pouco confronto dessas ideologias nos leva a pensar que é necessário abrir mais espaços para que esses adolescentes pensem a respeito de suas construções ideológicas e sobre novas possibilidades de filiação a um discurso menos segregador/punitivo associado à sexualidade.
Assunto Saúde do adolescente
Gravidez na adolescência
Vulnerabilidade
Prevenção primária
Comportamento d
Idioma Português
Data 2013-03-09
Publicado em GUASTAFERRO, Camila Macedo. Adolescência, gravidez e doenças sexualmente transmissíveis (DST): como os adolescentes enfrentam estas vulnerabilidades?. 2013. 201 f. Dissertação (Mestrado) - Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Guarulhos, 2013.
Linha de pesquisa Ensino
Área de concentração Multidisciplinar
Editor Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Extensão 201 p.
Fonte https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=89866
Direito de acesso Acesso restrito
Tipo Dissertação de mestrado
URI http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/48899

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