Descrição de uma série de pacientes com acidente vascular cerebral isquêmico maligno da artéria cerebral média tratados com craniectomia descompressiva com foco na monitorização da pressão intracraniana

Descrição de uma série de pacientes com acidente vascular cerebral isquêmico maligno da artéria cerebral média tratados com craniectomia descompressiva com foco na monitorização da pressão intracraniana

Autor Funchal, Bruno Ferreira Autor UNIFESP Google Scholar
Orientador Silva, Gisele Sampaio Silva Autor UNIFESP Google Scholar
Instituição Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Pós-graduação Tecnologias e Atenção à Saúde
Resumo rodução: o acidente vascular cerebral (AVC) representa a segunda maior causa de mortalidade no mundo e a principal causa de invalidez. No Brasil, a incidência anual de AVC é estimada em 108 por 100.000 indivíduos e é a principal causa de incapacidade, sendo responsável por cerca de 40% das aposentadorias precoces. Uma forma particularmente grave do AVC é o infarto cerebral de origem isquêmica causado pela interrupção do fluxo sanguíneo na porção proximal da artéria cerebral média (ACM) ou da Artéria Carótida interna (ACI), conhecido como AVC Maligno da ACM ou síndrome da ACM Maligna, com mortalidade de cerca de 70 a 80% diante do melhor tratamento clínico. A craniectomia descompressiva é uma opção terapêutica capaz de salvar vidas, com melhora da sobrevida com redução de incapacidades. O comportamento da pressão intracraniana pós hemicraniectomia descompressiva, assim como a correlação entre aumento da pressão intracraniana pós procedimento cirúrgico com variáveis clínicas e com prognóstico não estão claros na literatura. Este estudo se propõe a descrever uma série de casos de pacientes com AVC maligno da artéria cerebral média tratados com craniectomia descompressiva em hospital terciário brasileiro com foco na monitorização da pressão intracraniana. Métodos: O presente estudo retrospectivo propôs-se a realizar uma análise descritiva de uma série de casos de pacientes com o diagnóstico de síndrome da ACM maligna atendidos pelo pronto-socorro, unidades de internação e unidades de terapia intensiva do Hospital São Paulo-UNIFESP, submetidos a craniectomia descompressiva, no período entre 01 de janeiro de 2011 e 28 de fevereiro de 2015. Os paciente foram selecionados através da busca ativa nos registros médicos da unidade de terapia intensiva neurológica, do pronto socorro de neurocirurgia e dos registros de procedimentos do centro cirúrgico. Resultados: foram selecionados para análise o total de 16 pacientes, com média de idade de 49,44 anos (+/-11,67), sendo igual a proporção de homens e mulheres, bem como os acometidos por AVC no hemisfério direito e esquerdo. O tempo médio de internação hospitalar foi de 40,13 dias (+/- 26,64), sendo o tempo médio de internação em UTI de 18,43 dias (+/- 7,76). Ao todo, 14 pacientes foram monitorizados com cateter de Pressão Intracraniana (PIC) após a CD, dos quais 10 (71,4%) apresentaram ao menos 1 episódio de hipertensão intracraniana (HIC) com medida de PIC acima de 20 mmHg na primeira semana após a cirurgia, sendo a média dos máximos valores encontrados de 26,71 mmHg (+/- 11,64). Dentre os pacientes que apresentavam anisocoria antes da cirurgia, todos tiveram ao menos 1 episódio de HIC, versus 55,6% nos pacientes que não apresentaram-se anisocóricos (p=0,07). A média dos valores máximos de PIC foi de 33,4 mmHg (+/-11.78) em pacientes com anisocoria précirurgia versus 23,0 mmHg (+/-10.36) nos que não apresentaram anisocoria (p=0.1). Dentre os pacientes que apresentaram temperatura acima de 38ºC nas primeiras 48 horas, a média dos valores máximos de PIC foi de 29,17 +/- 12,62 mmHg, comparado com 24,88 +/- 11,35 mmHg nos que não apresentaram a elevação da temperatura (p=0,5). No pacientes que foram a óbito na internação a média dos máximos valores de PIC foi 31,0 +/- 25,4 mmHg, comparado com 26,0 +/- 9,8 mmHg nos pacientes que foram de alta ao final da internação (p=0.82). Pacientes com fração de ejeção < 50% tiveram média dos valores máximos de PIC de 29.33 +/- 18.6 mmHg, comparado com 23.75+/-9.48 mmHg nos pacientes com fração de ejeção normal (p=0.5). Todos os pacientes diagnosticados com ventriculite, (14,2%) apresentaram ao menos 1 episódio de aumento de PIC versus 63,6% dos pacientes sem o quadro infeccioso (p=0,2). Não houve correlação entre PIC máxima atingida e idade, valores de admissão ou précirúrgicos da escala de coma de Glasgow e intervalo de tempo para CD. Houve uma tendência a correlação positiva entre valores da escala do NIH na admissão e valores máximos de PIC atingida ( p=0.1). Conclusão:. A monitorização da PIC no período pós operatório foi utilizada na maior parte dos pacientes e mostrou uma elevada frequência de episódios de HIC apesar da CD. Encontramos uma possível associação entre a presença de hipertensão intracraniana e variáveis clínicas como a presença de anisocoria precedendo a cirurgia, ventriculite e NIHSS na admissão. Novos estudos são necessários para se concluir se a monitorização da PIC resulta em melhora do desfecho clínico, de mortalidade e redução de incapacidades.
Assunto acidente vascular cerebral
craniectomia descompressiva
pressão intracraniana
i
título
Idioma Português
Data 2015-12-16
Publicado em FUNCHAL, Bruno Ferreira. Descrição de uma série de pacientes com acidente vascular cerebral isquêmico maligno da artéria cerebral média tratados com craniectomia descompressiva com foco na monitorização da pressão intracraniana. 2015. 41 f. Dissertação (Mestrado Profissional) - Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, 2015.
Linha de pesquisa Medicina
Área de concentração Ciências da saúde
Editor Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Extensão 41 p.
Fonte https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=3369924
Direito de acesso Acesso restrito
Tipo Dissertação de mestrado profissional
URI http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/48107

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